Reconhecem-se 3 subespécies, que diferem principalmente pela coloração, quanto mais árida for a região, menos coloração elas possuem:
Serpophaga subcristata stramineaDiferenças em relação às outras subespécies: Muito amarelas ventralmente e dorso oliva.
Distribuição geográfica: Uruguai e sudeste do Brasil.
Serpophaga subcristata subcristataDiferenças em relação às outras subespécies: Ventral amarelo mais pálido e menos oliva no dorso.
Distribuição geográfica: Leste da Argentina: do centro-oeste, nordeste e leste de Buenos Aires, Entre Ríos, Santa Fe, Corrientes, Chaco, Misiones, leste de Formosa, leste de Córdoba e leste de Santiago del Estero.
Simpatria: Esta subespécie ocorre em simpatria com o
Piojito Trinador no período outono-inverno.
Serpophaga subcristata mundaDiferenças em relação às outras subespécies: Totalmente branco ventral e com o dorso cinza.
Distribuição geográfica: No oeste: desde o norte da província de Chubut, região andina inferior de Mendoza, San Juan, Catamarca, La Rioja, Tucumán, Salta e Jujuy; centro e leste de Río Negro, centro e oeste de La Pampa, centro e oeste de Córdoba e Santiago del Estero, oeste de Chaco e Formosa.
Simpatria: Esta subespécie ocorre em simpatria com o
Piojito Trinador durante a temporada de reprodução.
Taxonomia: Tópico muito debatido pela ciência. Berlepsch (1893) descreveu
S. munda separando-a de
S. subcristata. Zimmer (1955) analisa ambas as formas e considera que
S. munda corresponde a um habitat xerofítico-montanhoso, e
S. subcristata a planícies úmidas. Ele argumenta que a coloração dorsal e ventral não é conclusiva. Bó (1969) chega a um resultado semelhante ao de Zimmer (1955), mas encontra que em algumas áreas ambas as formas ocorrem em simpatria, levantando a questão de se o isolamento genético é quebrado e se elas hibridizam. Short (1975) considera
S. munda uma subespécie ou morfo de
S. subcristata. Straneck (1993) unifica
S. subcristata com
S. munda devido aos repertórios acústicos idênticos, confirmando o que Zimmer (1955), Short (1975) e Bó (1969) mencionaram. Smith (1971) anteriormente realizou análises acústicas de ambas as formas e apoiou o ponto de vista de
munda como espécie válida devido a diferenças de coloração e algumas vocalizações de
S. subcristata, ao que Straneck (1993) refuta, afirmando que as diferenças vocais reportadas por Smith (1971) são mínimas e atribuíveis a diferenças individuais ou regionais, acrescentando que Smith não tinha material comparativo suficiente. Herzog (2001) observa que Straneck (1993) tem sérios defeitos metodológicos e comenta que, ao reexaminar todas as informações com um critério conservador, obteve resultados opostos, afirmando que
S. subcristata e
S. munda são espécies válidas. Mazar Barnett e Pearman (2001) seguem Straneck (1993), baseando-se nas vocalizações idênticas e intergraduação na zona de contato. Herzog e Mazar Barnett (2004) afirmam que os espécimes
S. griseiceps de Berlioz (1959) representam jovens de
S. munda. Straneck (2007) explica que o erro dos autores que insistem que
S. griseiceps são juvenis de
S. munda (Berlioz, 1959; Traylor, 1979, 1982; Remsen e Traylor, 1989; Herzog e Mazar Barnett, 2004) vem de seus estudos se basearem apenas em peles e não realizarem análises acústicas das espécies. Ele continua tratando
S. s. munda como uma subespécie de
S. subcristata mencionando que "a diferença de cor se deve mais a uma adaptação cromática ao ambiente em que vivem, do que a uma diferença específica."
Comparação com o Piojito Trinador (Serpophaga griseicapilla): Espécies gêmeas muito difíceis de diferenciar em fotografias. O Piojito Comum tem a coroa muito mais branca, embora nem sempre seja visível, e o tamanho é maior do que o do
Piojito Trinador.
Vocalização:
É diferenciável do Piojito Trinador por seu repertório acústico, que repete durante todo o ano, embora com maior frequência no período reprodutivo. Vale destacar que algumas vozes do Piojito Comum poderiam ser consideradas como trinados, o que pode confundir pessoas que não conhecem bem a vocalização característica do
Piojito Trinador, ou seja, não só o
Piojito Trinador "trinado".
Comportamento: O comportamento do
Piojito Trinador e do Piojito Comum é similar, ambos se movem saltando e com pequenos voos pelas ramas das árvores capturando pequenos artrópodes,
portanto, as diferenças comportamentais não são consideradas válidas até que maiores estudos sobre este gênero sejam publicados.
Autor desta compilação: Jorge La Grotteria - 04/05/2016
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