Descrição: Monterita de 14–15 cm com sobrancelha branca longa, garganta branca e peito com faixa canela–avermelhada que se estende pelos flancos, contrastando com o ventre e a região subcaudal brancos. Apresenta faces e coroa pardo-acinzentadas, dorso pardo-oliváceo e asas acinzentadas com bordas ruivas. Cauda escura com pontas brancas nas retrizes externas visíveis em voo. Sexos semelhantes. Juvenis mais opacos e com leve estriação ventral. Distingue-se da Monterita Peito Cinza (Poospizopsis hypocondria) principalmente porque esta última não tem peito canela, possui peito cinza uniforme e ventre acinzentado em vez de branco.
Distribuição geográfica: Endêmica dos Andes bolivianos em ravinas arbustivas entre 1.600 e 3.400 m. Na Argentina ocorre apenas numa pequena região no extremo norte de Salta, nos arredores de Santa Victoria Oeste, dentro dos Vales Interandinos. Essa população foi descoberta apenas em 1992 e permanece extremamente localizada, provavelmente composta por poucos indivíduos.
Habitat: Ravinas arbustivas de altitude, matagais secos, bosques abertos com presença de queñoas (Polylepis), arbustos densos, cactos grandes, sebes ribeirinhas e encostas com vegetação baixa. Na Argentina ocupa ambientes dos Vales Interandinos com barrancos rochosos, arbustos secos e vegetação entre 2.200 e 3.300 m.
Comportamento: Mantém-se escondida entre arbustos e é difícil de detectar. Geralmente em pares ou grupos familiares, deslocando-se de forma discreta entre arbustos baixos, com voos curtos e discretos. Alimenta-se tanto em arbustos quanto no solo próximo. Vocaliza frequentemente desde arbustos médios. Sua voz é um canto melodioso, simples e repetitivo de 2–3 notas, além de um chamado agudo.
Alimentação: Consome principalmente sementes pequenas, brotos tenros e artrópodes que procura em arbustos densos ou no solo entre pedras e serrapilheira. Alimenta-se sozinha, em pares ou às vezes associada a outras monteritas.
Reprodução: Presume-se que construa um ninho em forma de taça em arbustos densos, típico do gênero.
Categoria de conservação: Não ameaçada globalmente (LC). Na Argentina foi categorizada como Ameaçada em 2008, mas como Ocasional na última categorização devido ao baixo número de registros e à falta de dados populacionais. No entanto, a população argentina é estável, extremamente localizada e provavelmente mais ampla do que se conhece devido à inacessibilidade da região.
Autores desta compilação: Diego Carus e Maria Belén Dri – 06/12/2025