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Ctenomys australis
Tucu Tucu del Sur
Dune Tuco-tuco

Família: Ctenomyidae
Ordem: Rodentia
Classe: Mammalia
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Estado de Conservação: Ameaçadas

Família Ctenomyidae (Lesson, 1842)

Este grupo exclusivamente sul-americano compreende roedores caviomorfos subterrâneos, comumente chamados de tuco-tucos, untutucos, ocultos, tunducos, entre outros nomes populares. Conta com cerca de 60 espécies viventes agrupadas em um único gênero Ctenomys (Blainville 1826). Elas estão distribuídas por grande parte da América do Sul, desde o sul do Peru, Bolívia, Paraguai, sul do Brasil e Chile, até o sul da Patagônia Argentina, sendo este último país o que possui mais espécies descritas. Elas ocupam uma grande variedade de habitats, desde desertos costeiros, bordas salinas, sistemas de dunas ao nível do mar e savanas, até altiplanos a mais de 5000 msnm. O nome que origina a família taxonômica provém do grego “ktenos” = pente; “mys”=rato, em referência aos pelos rígidos presentes na borda externa das patas traseiras, os quais se assemelham a um pente.

Descrição morfológica: Apresentam adaptações anatômicas associadas à vida subterrânea, com corpo cilíndrico, membros anteriores e posteriores curtos e robustos, além de cauda relativamente curta, olhos pequenos e orelhas reduzidas. Por sua vez, apresentam um crânio forte e compacto, dotado de grandes incisivos de coloração alaranjada na parte frontal (com exceção de C. leucodon). Seu tamanho varia, com espécies pequenas de poucos gramas como C. pundti, até espécies de tamanho considerável como C. conoveri que podem atingir um quilograma ou mais. Assim como o tamanho, a coloração do pelagem varia de acordo com a espécie, geralmente com variações de tons marrons escuros a claros, e tonalidades amareladas, embora também existam registros de indivíduos melanísticos e colorações acinzentadas. Além disso, apresentam dimorfismo sexual, sendo o macho maior que a fêmea, diferença que se acentua na fase adulta.

História natural: São em sua maioria espécies solitárias, entretanto, foram determinados diferentes graus de sociabilidade, encontrando-se espécies que apresentam um grau intermediário de interação entre indivíduos (C. opimus), e outras com uma estrutura social complexa (C. sociabilis). Apresentam uma dieta herbívora generalista, composta por vegetação lenhosa arbustiva, raízes e gramíneas, embora aparentemente para algumas espécies haja certa preferência por estas últimas. Constroem extensas galerias subterrâneas em áreas abertas (embora também existam espécies em áreas florestais), geralmente ocupadas por um único adulto (exceto em C. sociabilis). Essas galerias podem variar em estrutura e tamanho, podendo abranger grandes extensões e alcançar entre 30 e 65 cm de profundidade (C. mendocinus). Geralmente, esses sistemas apresentam uma galeria principal linear, e várias ramificações que dão origem a câmaras no interior, além de numerosos túneis, com saídas acessórias espalhadas pela superfície. Elas escavam sobre o terreno com seus membros anteriores, atividade complementada pelos incisivos, que se projetam para fora da cavidade bucal, evitando a entrada de terra e partículas enquanto estão em atividade. No entanto, esse último mecanismo aparentemente está relacionado com a dureza do substrato onde se encontram, sendo mais frequente em solos duros e compactos do que em solos soltos e/ou arenosos.
Apresentam tanto hábitos diurnos quanto noturnos, e raramente saem à superfície. Realizam incursões fora de suas galerias em busca de alimento, o qual transportam para o interior das mesmas para armazená-lo ou consumi-lo. Também costumam se alimentar de raízes e tubérculos do interior de suas galerias à medida que escavam, e nas bocas das tocas, onde frequentemente se observam ramos e caules de arbustos com marcas de incisivos. Além disso, sua presença é perceptível nas entradas de suas galerias quando há atividade na mesma, podendo-se observar montículos de terra fina ou restos de comida e fezes na entrada. Contudo, quando o indivíduo está dentro da toca, ele obstrui a entrada com terra.
As galerias são constantemente mantidas e revisadas devido às condições microclimáticas estáveis (temperatura, umidade, concentração de gases, entre outros parâmetros) impostas pela vida subterrânea. A ventilação das mesmas é essencial para evitar a sobreacumulação de dióxido de carbono, por isso as obstruções das galerias são feitas com substrato poroso e pouco compacto, e/ou com restos de vegetação e fezes, permitindo assim a entrada de correntes de ar.
Por serem espécies geralmente solitárias, o encontro ou interação com outros indivíduos se limita à busca de parceiro, cuidado das crias e confrontos territoriais, que geralmente têm uma natureza agressiva.

Vocalizações: A maioria das espécies produz vocalizações consistentes em sons profundos que lembram tambores, cuja onomatopeia é descrita como “tuca-tuc”, de onde vêm seus nomes populares. Tanto os machos quanto as fêmeas vocalizam, embora estas últimas em menor medida. Além disso, existem diferentes tipos de vocalizações, que se diferenciam em intensidade e duração. Estas desempenham um papel muito importante na comunicação entre indivíduos, sendo usadas para marcar território e manter grupos sociais.

Predadores: Os tuco-tucos são presas frequentes tanto de aves quanto de mamíferos. Entre seus predadores aviários mais frequentes, podemos mencionar a coruja comum (Tyto furcata), a corujinha das vizcacheras (Athene cunicularia), o mocho-do-campo (Asio flammeus), a águia mora (Geranoaetus melanoleucus), aguiluchos (gêneros Buteo e Geranoaetus) e falcões (gêneros Falco) entre outros. Entre os mamíferos, há registros de predação por parte do raposo cinza (Lycalopex gymnocercus), o furão menor (Galictis cuya), a gambá (Didelphis albiventris), o zorrilho comum (Conepatus chinga) e o quirquincho pequeno (Chaetophractus vellerosus), além de uma espécie aparentemente especializada na captura deles, o furão (Lyncodon patagonicus). Também existem registros de predação por serpentes do gênero Bothrops.

Importância e ameaças: Assim como outros mamíferos fossoriais, são espécies consideradas "engenheiros de ecossistemas", pois atuam como agentes modeladores de sistemas naturais, devido à sua capacidade de modificar o ambiente, alterando as propriedades orgânicas do solo, a disponibilidade e redistribuição de nutrientes e outros recursos. Além disso, favorecem o assentamento de outras espécies, pois aumentam a heterogeneidade do terreno, criando novos habitats, podendo afetar a dinâmica das comunidades vegetais e de fungos através da dispersão de sementes e propágulos.
A taxonomia, assim como muitos aspectos da biologia deste grupo, é complexa e está em constante estudo e discussão, com espécies que possuem distribuições não sobreponíveis e de ampla distribuição, e outras que representam endemismos cujos limites em muitos casos ainda são pouco definidos, com poucos registros. Os tuco-tucos têm alta especificidade no uso do habitat, ocupando ambientes com solos arenosos, friáveis e permeáveis que, na natureza, geralmente estão dispostos em forma de manchas isoladas. Devido a isso, o fato de terem requisitos de vida específicos, baixa dispersão e hábitos solitários os coloca como espécies muito dependentes da qualidade do ambiente que ocupam, de modo que a perda, degradação e fragmentação do habitat devido às mudanças no uso da terra representariam suas principais ameaças.

Autor desta compilaçãoEnzo Rossi - 17/06/2021

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Citação recomendada:

EcoRegistros. 2026. Ctenomys australis - Folha de espécies. Acedido de https://www.ecoregistros.org em 10/03/2026.